Este é o primeiro texto que escrevo para este blog, aliás, nunca mantive um, nunca tive muita vontade. Mas este site surgiu de uma idéia em conjunto e tem propósitos que me atraíram e me motivaram a escrever (mesmo que o tempo para isso seja escasso). Os propósitos já estão genericamente dispostos no pequeno texto de abertura do site, e com o tempo nós vamos criando nosso ethos através de nossos discursos manifestados aqui.
Este blog tem o objetivo de denunciar, alertar e trazer soluções relacionadas a tudo o que vem acontecendo no nosso planeta no que diz respeito à ação humana. O modo como o homem vem agindo tem relação direta com as diversas catástrofes climáticas de que se tem notícia ultimamente, com o aquecimento global e com o desequilíbrio ambiental. Isso tudo é evidenciado pelo trabalho de cientistas que estudam o assunto. Não tenho conhecimento científico profundo sobre esse tema, mas procuro sempre buscar materiais que aumentem meu saber nessa área.
Em minha opinião a raiz dos problemas ambientais encontra-se nos modos de produção capitalista, o qual influencia, obviamente, o pensamento humano. O sistema econômico capitalista é baseado na exploração do trabalho e no lucro (grosseiramente falando). Sendo assim, empresas, governo, sociedade civil e todas as demais instituições caminham nesse sentido, explorar e obter lucro.
Desde a Revolução Industrial até recentemente nunca houve uma conscientização (ampla) em relação aos impactos que trariam os modos de produção industrial. Hoje em dia é que o discurso ambientalista tem mais destaque, e ainda assim não alcança todas as esferas da sociedade.
Os problemas ambientais são a prova de que o capitalismo é um sistema falho e autodestrutivo. É certo que os problemas e catástrofes do meio ambiente sempre acompanharam a história das civilizações, porém nunca o perigo foi tão abrangente como no momento presente. O capitalismo transformou as relações humanas nos seus mais diversos aspectos. A relação do homem com a natureza, dentro do contexto capitalista, é uma relação de mercado, uma questão de quanto se pode produzir e lucrar utilizando recursos naturais. Isso, logicamente, altera a natureza drasticamente, pois o homem interfere no ecossistema de forma predatória, esquecendo que ele mesmo é parte desse ecossistema. Esse fato se deve ao pensamento econômico, pois a economia é abastecida com o consumo, para haver consumo é preciso da produção, e a produção depende de recursos (muitas vezes) naturais.
Como então uma empresa de petróleo, por exemplo, pode sobreviver sem afetar o ecossistema, dentro essa lógica de mercado? É impossível. Este sistema não permite essa flexibilidade, uma vez que a concorrência é parte fundamental dele. Existem empresas que fazem campanhas pró-reciclagem, apóiam o reflorestamento, conscientizam a população em vários aspectos. Porém, isso tudo vai por água abaixo quando o que está em jogo é a disputa mercadológica. Mesmo em países como a China, que tem o rótulo de comunista (mas é mais capitalista que os EUA), a realidade é essa.
Por essa razão, penso eu que o passo mais importante para uma mudança efetiva nas relações do homem com a natureza é a mudança modelo econômico. Não que a revolução sangrenta seja a solução para todos os problemas, mas é preciso que haja uma conscientização para repensar as relações do homem com a natureza. Repensar o seu lugar como ator social com potencial de mudança, pois esse modelo já se mostrou ineficiente.
Sei que esse texto não cita dados, é bastante subjetivo, genérico e até parcial. Mas a intenção aqui foi expor, de forma geral, o que penso, e a partir daí iniciar uma discussão nessa linha; ainda que somente eu mesmo venha a escrever nessa direção, pois já dizia Bakhtin que o dialogismo é um processo inerente a qualquer forma de comunicação.
César A. Melão